Acabei de assistir a um bom filme. Invictus. Eduardo me convidou pra ver. Já estava querendo ver há um bom tempo.
Tirei algumas coisas interessantes do filme. Uma delas foi uma percepção que me faltava até então.
Há muito temos(e quando digo temos, estou incluindo todos os que, assim como eu, tem tenado agir dessa forma, direta ou indiretamente) tentado ser a voz do povo. Temos tentado ser a voz, nunca ouvida, dos menos favorecidos. Por que? Me perguntei isso hoje. Já tinha refletido sobre a inutilidade de se assumir a postura do perdedor, e sobre como discordava com os ideais ditos "populares". Encontrei uma resposta. No mundo que vivemos e da forma que agimos, esse pensamento é impossível. Eu não digo nem imrovável, mas impossível. É impossível levar um grupo ou uma idéia ao auge, de forma hegemônica, sem destruir as que já existem. Sabemos da impossibilidade de êxito, sabemos que vamos perder, e é por isso que continuamos. É mais fácil aceitar desse jeito, podemos dizer que fizemos tudo que pudemos depois.
Não somos a voz do povo por que: primeiramente, ele nunca nos designou pra isso, e depois não fazemos parte da idéia geral de povo.
Somos sim povo. Todos são. Desde o menino de rua ao presidente da república, mas isso não é a prática. E nós temos que trabalhar com a prática...
Não venceremos por nossa causa ser nobre. Não venceremos por estar tentando ajudar. Não venceremos por que temos boas idéias.
Para os menos exaltados, não vai acontecer nada por inércia ou por mudança dos tempos. Os tempos mudam, mas nós não. Esperamos sempre que ele nos mude...
Para os mais exaltados, não há e não haverá sociedade igualitária. Não haverá uma plena distribuição de renda e de recursos. Não haverá socialismo(essa foi pros comunistas).
Bem, até agora eu disse que não somos representantes do povo, e que não vai haver igualdade no mundo. Tendo quebrado essas amarras eu posso continuar:
Somos uma parte abastada da sociedade brasileira. Somos uma parcela que está longe de ser elite, somos a classe média baixa. A que arca com maior parte dos custos da nação e vive reclamando disso. Somos a parcela da sociedade com conhecimento e capacidade suficientes pra pensar, mas vontade pouca.
É isso que nós representamos, é por essa parcela da sociedade que nós podemos tentar falar. Precisamos falar por ela. E depois não mais falar. Não sozinhos. Começamos por ela, por nosso vilarejo, pra que possamos alcançar o todo. Pra que depois possamos falar como uma só voz!
sábado, 20 de março de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)